terça-feira, 25 de maio de 2010

Desapego (sobre as perdas que sofremos)


Para alguns pode soar estranho entender o desapego como uma virtude, afinal, temos o apego quase como um sinônimo para o amor e afeto. Há algum tempo também o via dessa forma. Embora doutrinas espirituais não sejam o tema principal deste blog, é difícil falar sobre o desapego sem mencionar algumas idéias budistas que tanto me cativam.

Para o budismo o apego nada tem a ver com amor. Embora capazes de amar de forma plena, devemos estar dispostos a enxergar o fato de que vivemos em um universo em constante transformação. Nascimento e morte são ilusões, no sentido de que nada simplesmente surge ou desaparece, apenas se transforma. Uma onda é uma onda, dotada uma individualidade. Ao quebrar na praia, ela deixa de ser onda, mas em momento algum ela deixou de ser mar. Desapegar-se é enxergar com clareza a essência real de todos nós.

Reconhecemo-nos em nossos corpos e em nossos cérebros, mas ambos são apenas um conjunto de células. Células estas que se renovam, como peças de um motor que são trocadas até nada restar do motor original. Nosso corpo hoje é inteiramente novo em relação ao corpo que tínhamos há alguns anos. E ainda assim continuamos nos reconhecendo. Isso porque somos mais do que células. Somos também nossos pensamentos, sentimentos e ações. Somos a mudança que geramos no mundo a nossa volta. Esse é o princípio do “Karma” descrito no budismo.

Quem perde alguém que ama, deve aprender a enxergá-lo não apenas na forma de corpo, mas na forma de suas ações, que continuarão fazendo parte daqueles que foram transformados por elas, e que por sua vez, transformarão outros, em um efeito multiplicador. Devemos nos desapegar da individualidade, nossa e daqueles a nossa volta. Pois trata-se de uma ilusão, sendo sempre impermanente.

Não basta enxergar a onda. É preciso enxergar o mar.

Os endereços abaixo oferecem mais pensamentos sobre o tema:

http://opicodamontanha.blogspot.com/ (do Monge Zen Budista Genshô)

http://sangavirtual.blogspot.com/

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Otimismo


No processo de mudança acelerado em que vivemos é comum perdermos nosso foco. Embora digna, a busca pelo crescimento social e profissional nos faz esquecer nosso crescimento espiritual (o que não deve ser confundido aqui com uma evolução em uma doutrina religiosa).

Não por acaso, o otimismo foi a primeira virtude sobre a qual quis escrever. Afinal de contas, o otimismo é fator primordial para qualquer grande transformação. Grandes feitos no mundo tiveram como alicerce o otimismo inabalável de seus líderes, assim como as grandes mudanças em nossas vidas devem ter como base o nosso próprio otimismo.

Não é saudável confundir otimismo com “pensamento positivo”. Otimismo não se trata de achar que o melhor (ou aquilo que compreendemos como “melhor” em um determinado momento) sempre irá nos acontecer, mas sim em manter-se disposto a encarar as situações focando-se em seus aspectos mais positivos.

Nossa visão de mundo é fruto de nossas interpretações individuais, por isso reagimos de formas diferentes a problemas semelhantes. Não me parece haver dúvidas de que olhar o mundo de forma mais terna gera uma mente, e consequentemente, um corpo mais saudável. E isso, por si só, já me parece razão suficiente para começarmos a analisar nossa vida e nosso mundo de uma forma diferente.
Talvez devêssemos pensar com que olhos enxergamos a nós mesmos, nossa cidade, nosso país. Lembraríamos de mais aspectos positivos ou negativos? Os problemas que vivenciamos são inevitáveis, são próprios de nossa existência enquanto seres humanos. Já a forma como eles passam por nossa vida depende muito mais de nosso nível de clareza mental e atitude em relação a eles.

"Você quer saber como esta seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem. Quer saber como estará seu corpo amanhã? Analise seus pensamentos hoje" Ensinamento descrito nos Vedas, textos sagrados do Hinduísmo.

Os problemas do mundo não são obstáculos para o otimismo. Pelo contrário, são suas sementes, afinal ele só faz sentido em um mundo imperfeito.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Porque escrever sobre as virtudes?


Esta é a primeira postagem de um blog público, mas possivelmente cheio de significados e interpretações muito pessoais, tanto para mim quanto para quem vier a acompanhá-lo. Particularmente o vejo como um caminho para tornar-se alguém melhor. Afinal, a capacidade de mudar é sim, uma virtude.
Passei muitos anos me vendo como um ser imutável, completo em vários sentidos, no entanto, hoje, com os primeiros sinais de cabelos brancos, comecei a perceber que as transformações que sofremos no decorrer da vida são inevitáveis. Felizmente, com alguma determinação, podemos direcioná-las no sentido de tornar nossa vida, e a das pessoas em nossa volta, mais plena.
Atos de amor, coragem, respeito, etc, estão enraizados em todas as religiões, não importando suas vertentes. Isso porque as virtudes são anteriores a qualquer credo. São parte fundamental daquilo que nos faz seres humanos, e em um sentido mais amplo, seres viventes.
No entanto, contar apenas com os valores que aprendemos quando crianças ou mesmo com o instinto natural de fazer o bem pode ser comparado a banhar-se em um lago de águas rasas. Para manter-se fiel aos seus valores e tornar-se um ser humano melhor em um mundo tão complexo, é preciso refletir sobre as transformações que buscamos para nós mesmos, é preciso se aventurar em águas mais profundas. Este é o objetivo único deste blog.