Hoje li um belíssimo trecho do livro “You are here” do monge Thich Nhat Hanh, postado no blog http://sangavirtual.blogspot.com. Tão significativo foi para mim que quase que imediatamente decidi abordá-lo nessa postagem.
Este texto nos fala sobre o desapego como o único caminho para a verdadeira felicidade. Para mim essa frase faz todo o sentido. No meu modo de ver, o desapego descrito aqui não se refere apenas aos bens materiais, mas principalmente às nossas idéias. Em um sentido mais amplo, bens materiais são também idéias (de felicidade, segurança, conforto, status, etc).
Em cada fase da minha vida criei ideais de felicidade. Receitas que me levariam a uma vida plena e cheia de satisfação. Receitas estas, tantas vezes modificadas, ao ponto de me fazer perceber que a própria idéia de um “caminho para felicidade” é imatura. A felicidade deve fazer parte de seu caminho.
O mesmo texto narra uma passagem em que Buda e seus discípulos foram abordados por um fazendeiro que lhes perguntou: “Veneráveis monges, vocês viram minhas vacas por aqui? Eu tenho dezenas de vacas e elas fugiram. Além disso, eu tenho cinco acres de plantação de gergelim e este ano os insetos comeram tudo. Eu acho que vou me matar. Eu não posso continuar a viver assim”.
Buda sentiu forte compaixão por aquele homem. Disse-lhe que não havia visto suas vacas. Quando o fazendeiro se foi, o Buda se voltou para seus monges e disse: “Meus amigos, sabem por que vocês são felizes? Porque vocês não têm vacas para perder”.
Não sou um monge, e não digo que devemos abrir mão de nossas posses. Nem sequer entendo esta passagem como uma ode àqueles que, por opção, vivem apenas com a roupa do corpo. Não se trata do clichê do “Rico infeliz” x “miserável alegre”, mas do fato de que muitas vezes nos tornamos escravos de nossos ideais e das coisas que julgamos serem tão essenciais que não poderíamos viver sem. Uma mente escravizada nunca será feliz. Em resumo, acredito que seja rico, pobre, belo, feio, poderoso, humilde, no fim, nossa felicidade será medida pela média de sorrisos e momentos de paz que tivemos em cada um de nossos dias.
Libertar a mente não é uma tarefa fácil. Nossas ilusões são tão intricadas não há como nos desfazermos apenas de uma por vez. A renúncia de uma influencia em outra. Como um grande emaranhado de barbantes onde não é possível desembaraçar e livrar-se apenas de um. É preciso estar disposto a, calmamente, desatar os vários nós que aprisionam nossa mente.





