sexta-feira, 4 de junho de 2010

O não-preconceito


Creio que seja uma das virtudes mais importantes a serem incentivadas em nós mesmos.

Ontem à noite tive a rara oportunidade de passar algum tempo com um senhor bastante simpático chamado Sr. Concílio, que aos 88 anos, demonstrando os sinais claros da idade avançada, me falou sobre sua mocidade em um esforço quase sobre-humano para lembrar-se dos detalhes de suas histórias.

Como já disse, raramente o encontro, e percebo que ele nem sempre se recorda que já fomos apresentados. Ainda assim, ele cumprimenta a mim, e também a todos, de forma terna, com uma simpatia e uma serenidade invejável em seu olhar. Penso que ali está alguém disposto a aceitar qualquer ser humano de forma igualitária.

O preconceito não está apenas na discriminação racial, social ou religiosa. Ele muitas vezes está impregnado em nossos pensamentos cotidianos. É comum presumirmos que conhecemos o comportamento de alguém baseado em algumas horas de convívio, ou mesmo naquilo que ouvimos sobre determinada pessoa. Criamos nossas verdades sobre o mundo a nossa volta e nos prendemos a elas como se fossem inalteráveis.

Como tudo na vida, é claro que o preconceito tem um lado positivo, ele nos traz segurança. Permite-nos livrar de situações potencialmente perigosas, como mudar de caminho ao trafegar em uma rua escura, com figuras suspeitas. É válido em nível de sobrevivência, mas extremamente nocivo em um nível social.

Adotar o não-preconceito não me parece algo fácil. Muitas vezes ele é invisível em nosso comportamento e ocorre apenas no campo emocional e mental. Nossa mente envia impulsos, muitas vezes instantâneos, difíceis de serem controlados, no entanto, penso que podemos nos educar a sempre questionarmos se nossas percepções iniciais merecem o mérito que costumamos lhes dar.

Penso que a forma mais saudável e correta de agir seria seguir o exemplo de seu Concílio, cujo nome (que significa união e conciliação), é tão pertinente para este tópico, e tão necessário para um convívio pacífico entre nós e aqueles que nos cercam.

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